22 de agosto de 2011

* O ATAQUE DO FURADENTES - Texto do Livro

*

Welington Almeida Pinto


Ilustração do livro impresso
        

 
Furadentes, para quem não sabe, é o nome de uma bacteriazinha que ataca os dentes de crianças que vivem comendo doces, chupando balas, mascando chicletes, tomando refrigerantes e não cuidam bem da boca.
Por isso mesmo, há muito tempo um batalhão de Furadentes morava na boca do menino Caco, fazendo a maior destruição nos seus dentes: quase todos amarelos e apodrecidos de tanta cárie.
Certa noite, o pior aconteceu: uma terrível dor de dente pega Caco de surpresa. Doía tanto que ele foi chorar no colo da sua mãe.
- Ai... Ai... Dói muito, mamãe.
Dona Filhinha tenta acalmar o filho:
- Eu sei, meu amor. Eu sei. Procure dormir que amanhã, bem cedinho, iremos ao consultório do doutor Juca. Vou apanhar folhinhas de hortelã e fazer uma infusão. Aí, você bochecha bem quentinho que a dor melhora, viu?
Depois do cuidado e muito carinho de sua mãe, Caco adormeceu. Logo começa a sonhar que as bacteriazinhas da cárie faziam a maior farra na sua boca, pulando de dente em dente como palhaços no picadeiro de um circo. Cada uma com chifrinho na testa mais pontudo do que o outro só para cutucar os dentes cariados.
De repente, surge um pequeno guerreiro e começa a atacar as bactérias da cárie sem dó nem piedade dentro de sua boca. Alvoroço total! Sem saber o que fazer, elas pulavam de lado, de frente, para cima, para baixo, tentando escapar da fúria do destemido combatente. Não teve jeito, foram todas expulsas de seus dentes.
O guerreiro vitorioso, como num passe de mágica, toma a forma de gente grande e se apresenta:
- Olá Caco, eu sou Pastolim, amigo das crianças de boca limpa.
- Muito prazer.
- Háháhá!... Pelo que vi, tem comido bastante doce e não anda cuidando dos dentes.
Caco fica calado sem saber o que dizer. Pastolim continua:
- Não se assuste, só ataco os bichinhos da cárie.
O menino, mais aliviado:
- Uff! Ainda bem!
- Dor de dente é coisa seria. Mas, se quiser posso ajudar a se livrar, de uma vez por todas, desse povinho mal intencionado dentro da sua boca.
- Claro. Claro. Eu não aguento mais de tanta dor!
- Você tem que me prometer uma coisa.
Caco, mais do que depressa:
- O que você quiser.
- Usar fio dental e escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia com creme fluoretado.
- Legal. Quê mais?
- Escovar a língua também.
- A língua?!
- Sim, não sabia?
- Juro que não.
- Tem mais: não abusar de doces, balas, chocolates, chicletes, refrigerantes... Essas delícias que o bicho ruim da cárie também adora.
Caco, depois de pensar um pouquinho:
- Fechado. Quando comer doce ou chupar bala, devo usar fio dental e escovar os dentes, não é mesmo?
- Correto.
- Prometo fazer tudo direitinho.
- Muito bem. Fique com essa escova, o creme e o fio dental. São armas poderosas para combater os agentes causadores da cárie - garante Pastolim.
- Vou usar.
- Mas não abuse da quantidade e cuide para não engolir a pasta. Use só um pouquinho: assim..., assim..., uma bolotinha do tamanho de um grão de arroz.
- Só isso?
- Sim. Pasta contém flúor. Flúor é bom para os dentes, mas se ingerir poderá manchar para sempre seus colmilhos que ainda irão nascer.
- Colmilhos?
- Sim. Os dentes que ainda vão nascer.
- Ah, é?
- E não deixe de visitar um dentista no mínimo duas vezes ao ano, certo?
- Sim.
- Nosso trato está de pé?
- Lógico.
- Não vai esquecer de nada?
- De jeito nenhum.
Pastolim abre mais o sorriso:
- De hoje em diante, cuidará dos dentes antes do café da manhã e após as refeições. Antes de dormir, capriche mais ainda. A higiene bucal é importante para saúde dos dentes e das gengivas. Aliás, se tivesse escutado sua mãe?
- É.
- Tiau, Caco. Tenho quer ir.
Mal acaba de falar, Pastolim rodopia três vezes em torno de si mesmo e desaparece no ar. Caco desperta excitado, remexendo de um lado para o outro como se procurasse alguma coisa:
- Minha escova! Cadê minha escova, mãe?
Dona Filhinha, que dormia no quarto ao lado, também acorda com a inquietação do filho.
- Que foi, Caco?
- Minha escova! Cadê minha escova de dentes?
- Que escova? – pergunta a mãe, sem entender nada.
- A que o Pastolim me deu de presente, mãe!
Dona filhinha acha graça ao ver caco acordar deste jeito no meio da noite. Levanta-se, vai até sua cama e acaricia o rosto do filho, imaginando que ele tivesse tido um mau sonho.
- Cadê, mamãe, a escova? – insiste caco.
A mãe, que de boba não tinha nada, responde:
- Não se preocupe, enquanto você dormia, guardei sua escova no armário do banheiro.
- Ainda bem. Prometi a Pastolim que vou cuidar dos dentes todos os dias, sem falta.
- Maravilha. Agora, procure dormir de novo.
- A senhora fica comigo mais um pouquinho?
- Claro, meu amor, claro!
O dia amanheceu e dona Filhinha cuidou de levar o filho ao consultório do dentista para tratar dos dentes. Depois da consulta, o doutor Juca brinca:
- Menino que não cuida bem da boca, perde a guerra para o Furadentes. Fica feio, banguela e com um ‘bafo de onça’ que assusta até gambá. Sabia disso?
Em seguida, o dentista apanha um livro na estante e oferece a caco:
- É para você.
Surpreso, o menino pega o presente:
- Obá, um gibi!!!...
- Não é bem uma revistinha em quadrinhos, mas tem boas ilustrações. É um livro especial que fala sobre os cuidados que uma criança deve ter com a higiene bucal.
- Massa! Obrigado, doutor.
- De nada. Anote mais uma dica importante.
- O quê?
- Quando escovar os dentes, não deixe a torneira aberta jogando água fora como muita gente faz por aí. Não usa além da conta, viu?
- Não faço isso. Mamãe já me ensinou que desperdiçar os bens naturais não é legal.
- Não mesmo, porque são benefícios da natureza que devem ser preservados a qualquer custo para não serem extintos pelo mau uso. Garoto esperto, vá com Deus!
A partir desse dia, caco viu que cárie é mesmo uma doença danada, estraga os dentes e provoca muita dor. Por isso mesmo nunca mais deixou de cuidar dos dentes e visitar o consultório do doutor Juca.
E, assim, viveu feliz para sempre.
 
 

* FBN© 2008 * O ATAQUE DO FURADENTES/Categoria: Conto Infantil – Autor: Welington Almeida Pinto. Nova redação, de acordo com os atuais PCNs, recontextualizando o texto original do livro publicado com o nome “O Ataque do Furadentes”, em 1999 - Edições Brasileiras – Ilustr.: maisvocêsaúde https://www.youtube.com/watch?v=YOMaEHyiy_g

* Texto revisado pela ABO/MG - Associação Brasileira de Odontologia.